Histórico

Carmelo de Piracicaba - 60 anos

V. J. M. J.

1º de Março de 1950

"Meu grande protetor São José:

Com simplicidade de filho e devoto fervoroso venho comunicar-Lhe que amanhã chegarão as carmelitas descalças que desejam estabelecer aqui um Carmelo.

A idéia é boa, ótima até, e de absoluta necessidade. Acontece, porém que eu não tenho dinheiro para comprar a casa que as Carmelitas desejam. Elas também não têm o necessário para a manutenção. Será que o que estamos arquitetando é ousadia? Será isto da vontade de Deus?

Manifestai-me São José a vontade de Deus e de Maria Santíssima enviando os meios de que preciso para adquirir a casa. Vós que nunca desamparastes a Matriarca Santa Teresa na fundação de Carmelos, vinde em nosso auxílio!

Confio plenamente em Vós, que sois o Ministro e Tesoureiro das Obras Religiosas.

São José rogai por nós!

Seu humilde devoto,
+ D. Ernesto B. de Paula

Histórico da Igreja do Mosteiro das Irmãs Carmelitas de Piracicaba


Madre Ana de Jesus, a Madre Aninha

O Carmelo de Piracicaba foi criado pelo Rescrito da Santa Sé nº 872/51 datado de: Roma, 28 de Fevereiro de 1951, sendo Bispo da Diocese Dom Ernesto de Paula.

Entretanto, as fundadoras, provenientes do Carmelo de São Paulo, iniciaram a vida carmelitana em 11 de Abril de 1951. Duas grandes figuras se distinguiram nessa fundação: Madre Leopoldina de Santa Teresa que a iniciou e Madre Ana de Jesus que durante 45 anos a consolidou.

Porém a Igreja do atual Carmelo faz parte do conjunto arquitetônico do Mosteiro das Irmãs Carmelitas que foi inaugurado no dia 01 de Maio de 1956 e consagrada a 01 de Maio de 1967.

O projeto do atual prédio do Carmelo foi elaborado pelo engenheiro paulista Pietro João Guilherme Ghirardi. É realizado em estilo colonial brasileiro que lhe confere uma silhueta elegante, porém, modesta, recolhida e aconchegante. Sua aparência é simples, desprovida de ornamentos, a não ser as sóbrias molduras de alvenaria e as torres requeridas pelo estilo.

A execução da obra esteve a cargo do empreiteiro e construtor espanhol, bastante competente, Antonio Sancho.

O interior do templo, consta da nave e do presbitério, no qual se divisa o altar, a mesa de Comunhão e algumas peças em mármore, todos realizados em São Paulo e foram doações da família do Sr. Ivo Vigorito.

O mobiliário – porta da Igreja e do Mosteiro, bancos, poltronas e genuflexório, são artísticos trabalhos da autoria do entalhador piracicabano Sr. Eugênio Nardin.

A Igreja sob a invocação de Nossa Senhora do Carmo e Santa Teresinha que num harmonioso conjunto barroco-romântico de madeira, presidem a parte central do presbitério; ladeando este grupo vêem-se as imagens do Imaculado Coração de Maria e de São José patronos do Mosteiro. Todas estas esculturas foram adquiridas em São Paulo na Casa Aldo Bove.

O Mosteiro das Carmelitas, ou como habitualmente é chamado – O CARMELO – situa-se na Rua José Ferraz de Camargo, 72 - Bairro São Dimas, num terreno doado pela Companhia Industrial Boyes.

Conhecendo o Carmelo de Piracicaba

O convento das Carmelitas em Piracicaba foi estabelecido por um Rescrito da Santa Sé e com o assentimento do Senhor Bispo Diocesano – Dom Ernesto de Paula, em 1951.

Concretizou-se, precisamente, em 11 de abril de 1951, com a chegada das Irmãs, tendo à frente Madre Leopoldina de Santa Teresa (Elvira Severo de San Juan) e quatro professas solenes, que retornaram aos conventos de origem.

Madre Leopoldina, religiosa desprendida, desejando somente fazer a vontade de Deus, solicitou ao seu Carmelo de origem – Mosteiro de Santa Teresa de São Paulo- um reforço: algumas Irmãs que a substituíssem para levar avante o recém-fundado Carmelo Imaculado Coração de Maria e São José. Pedido que foi pronto e generosamente assumido.

Irmãs, que com muita coragem levantaram este convento, assumiram com alegria as dificuldades de uma fundação. Esse grupo de Irmãs foi assim constituído: Madre Ana de Jesus (Irene David Medeiros), Irmã Teresa do Menino Jesus (Maria do Carmo Nogueira Garcez), Irmã Teresa Cristina de São José (Maria Teresa Nogueira Garcez) e Irmã Luisa Inês de Jesus (Hermínia dos Santos).


Dom Fernando Mason, bispo diocesano de Piracicaba

O Superior maior do Carmelo é o Senhor Bispo Diocesano, Dom Fernando Mason. Somos também vinculadas aos Superiores de nossa Ordem: em Roma, o geral – Padre Saverio Cannistrà; no Brasil, o Padre Provincial Frei Rubens Sevilha. A comunidade é regida pela Priora, eleita por um triênio, pelo consenso das Irmãs Capitulares e por seu Conselho.

A clausura é uma disposição requerida pela vida contemplativa que, em sua estrutura, opta por uma contínua busca de Deus, na solidão e no silêncio.

A clausura é também requerida por uma especial vocação.

Na sociedade também cada um desempenha sua própria função em um ambiente adequado.

Sabemos que uma cidade moderna, bela, movimentada, complexa em sua estrutura social, econômica e industrial, encarregada de fomentar o progresso do povo com variadas profissões, não deixa de possuir reservas verdes, parques e jardins arborizados, onde o oxigênio purifica a atmosfera, diminuindo a poluição e oferecendo melhor condição de vida aos habitantes.

Pois bem: os Carmelos são estes espaços verdes, solitários e silenciosos, que enviam esta brisa reconfortante de oração e apresentam a Deus, em nome de toda população, o louvor que Lhe é devido. Nossa vida comunitária é feliz porque nos sentimos úteis a todos os nossos irmãos.

As grades do Carmelo não são feitas para separar os corações que se amam, servem antes, para tornar mais fortes os laços que nos unem.

A regra não nos impõe sacrifícios suplementares; o próprio horário do convento com o despertar às 04,30 horas e o repouso às 22,00 horas, exige empenho. As refeições são em horários determinados, frugais, se bem que fartas, não dão ocasião a deleites.

A vida comunitária partilhada quotidianamente, em horário pré-estabelecido ajuda a disciplinar o próprio “eu”. Além disso, há períodos em que se observa o jejum monástico. A abstinência da carne é perpetua, exceto em caso de doença ou necessidade.

O nosso dia é como o de Maria de Nazaré: realizamos todos os serviços domésticos. Desempenhamos também trabalhos remunerados. Confeccionamos as alfaias para as Igrejas, o necessário para celebrações litúrgicas e para seus ministros. Assim, com bastante empenho, participamos da situação de todos no “ganhar o pão de cada dia”.

Não faltam ajudas espontâneas de pessoas amigas que são recebidas com grande gratidão e em nossas orações encomendamos a Deus suas intenções para que Dele recebam o cêntuplo em graças e bênçãos do céu


Madre Terezinha do Menino Jesus e Madre Constantina

Nossa vocação na Igreja

A vocação das Carmelitas Descalças é um dom do Espírito, que as convida a uma misteriosa união com Deus, vivendo em amizade com Cristo e em intimidade com a Virgem Maria. A oração e a imolação fundem-se vivamente com um grande amor à Igreja. Por exigência do Carisma de sua Ordem, a oração, a consagração, e todas as energias de uma Carmelita Descalça devem estar orientadas para a salvação das almas. (cf. Const. 10)

Chamadas a viver “em obséquio de Jesus Cristo” (cf. 2 Cor 10,5), as Carmelitas propõem-se a seguir os conselhos evangélicos com toda perfeição possível. A incorporação a Cristo e a participação em sua missão salvífica, exigem das Carmelitas, uma total abnegação de si mesmas, acolhendo o apelo de Jesus de levar a cruz de cada dia. Conscientes também do próprio pecado, reconhecem a necessidade da penitência, que, para ser verdadeira, exige que práticas externas estejam intimamente unidas à conversão interior.

A Oração

A vocação do Carmelo é um compromisso de viver “em obséquio de Jesus Cristo”, “meditando dia e noite a Lei do Senhor e velando em oração” (Regra).

A Igreja pede que cada Mosteiro viva intensamente o mistério da oração contemplativa, oferecendo dela um testemunho ao povo de Deus.

Além da oração contemplativa, a participação na oração de Cristo tem sua mais alta expressão na Sagrada Liturgia. Por isso a celebração da Eucaristia e dos sacramentos, mediante a proclamação da Palavra e o canto dos louvores divinos, renova e edifica cada Comunidade e exprime sua comunhão com a Igreja Universal e colabora para a vinda do Reino (cf. Const. 63-64)

A presença de Cristo na Eucaristia, centro da Comunidade, fomenta a união com Cristo e favorece a oração pela Igreja, de acordo com o espírito teresiano.


Vida Comunitária

A exemplo da Igreja primitiva, a vida da comunidade proposta pela Regra do Carmelo, exige que as Irmãs, convocadas e reunidas como “pequeno Colégio de Cristo”, ajudem-se mutuamente no caminho da santidade, tendo como norma suprema o amor, que o Mestre recomendou a seus discípulos e o manifestou dando a vida por nós.
De acordo com Santa Teresa, o estilo de vida comunitária caracteriza-se pelo sentido de igualdade evangélica e pela franca sinceridade no trato; pela mútua partilha de alegrias e tristezas, dentro de uma pequena família (21 apenas) à qual as Irmãs se ligam por toda a vida, em clima de alegria e afabilidade (cf. Const.)

Refeitório: assim na mesa comum, símbolo da comunhão fraterna, as religiosas tomarão com gratidão e alegria os alimentos, presentes da Providencia e fruto do próprio trabalho (const. 95);

Recreio: para que as Irmãs possam comunicar-se entre si com espontaneidade e alegria, seguindo o pensamento de Santa Teresa, terão recreio, duas vezes ao dia. Todas as religiosas dele participarão com fidelidade, colaborando com a edificação da comunidade, no respeito e afabilidade mútuos.


A Clausura

A contínua busca de Deus na solidão é como um “êxodo”, um retirar-se no deserto, onde Ele chama e conduz para falar ao coração. Sob o impulso do Espírito Santo, muitas acolheram o convite feito por Cristo a seus discípulos e se retiraram para a solidão a fim de adorar ao Pai em espírito e verdade (cf. Jo 4,23), permanecendo junto ao Mestre à escuta de suas palavras, escolheram a única coisa necessária, a melhor parte, que não lhes será tirada (cf. Lc 10,39-42 e Const.)

João Paulo II falando às contemplativas diz: “a vossa imolação silenciosa proclama o Absoluto de Deus e interpela aos homens irmãos sobre o sentido da vida; e o vosso amor, aplicando-se na adoração e na súplica, derrama-se na história dos mesmos homens” – Ideal eclesial-apostólico.

A vocação das Carmelitas Descalças é essencialmente eclesial e apostólica. O apostolado que Santa Teresa quis para suas filhas, consiste na oração e imolação com a Igreja e pela igreja.

Inserção na Igreja Particular

Todos os mosteiros procurarão inserir-se na própria Igreja particular, sabendo que fazem parte da família diocesana e que é seu dever oferecer nela o peculiar testemunho de vida contemplativa. Esta comunhão com a Igreja particular manifestar-se-á, na estima e obediência filial ao próprio Bispo, na solicitude pelos problemas e iniciativas da diocese e na oração por todos os seus membros, especialmente pelos sacerdotes. A todos os fiéis oferecerão uma acolhida fraterna e um testemunho feliz de sua vida, difundindo o amor à oração (cf. Const. 128)

Trabalho

À imitação de Cristo, que em Nazaré quis trabalhar com as próprias mãos, e acatando as disposições da Regra, as monjas submeter-se-ão de bom grado a lei comum do trabalho, partilhando a condição dos pobres, ganhando com esforço o necessário à vida e pondo a serviço das Irmãs, suas energias e qualidades, conscientes que através do trabalho se associam a obra redentora de Cristo (cf. Const. 37)

Santa Teresa em seus escritos aconselha: “cada uma trabalhe para ganhar o pão para as outras; tenham grande apreço pelo que diz a Regra; ‘quem quiser comer, deve trabalhar’ como fazia São Paulo.

O nosso dia a dia é como de Maria de Nazaré. Responsabilizamos por todos os serviços domésticos do Convento: varrer, lavar, cozinhar, jardinagem e horta. Cuidamos dos ofícios da casa: rouparia (roupas das Irmãs), sacristia, conservação da igreja, enfermaria (cuidado e tratamento das Irmãs enfermas). Todas se revezam e se ajudam nas diversas ocupações diárias. Em Piracicaba, somos encarregadas da confecção das alfaias para as igrejas e tudo o que concerne a Celebração Eucarística e aos ministros. Realizamos também quase todo tipo de artesanato e aceitamos encomendas de trabalho.

Quando se entra para o Carmelo tem-se a impressão de que é uma cidade. Assim a beata Elisabete da Trindade definiu sua experiência: “o Carmelo é o país mais belo do mundo”!

Formação

São várias as etapas da formação:

Postulantado: serve de prévio ensaio para permitir a avaliação das aptidões e vocação da candidata; verificar e completar seu grau de cultura, particularmente a religiosa.

Noviciado: começa com o rito da Tomada do Hábito da Ordem. É o tempo útil ( de 1 a 2 anos) para que a noviça seja iniciada na formação religiosa específica e se prepare para a profissão religiosa.

Profissão: após o noviciado, a noviça tem a oportunidade, tendo conhecido e vivenciado de perto o carisma do Carmelo, fazer sua livre opção. Desejando continuar a caminhada e sendo aceita pela Comunidade, fará sua profissão pelos votos de castidade, pobreza e obediência, por um triênio. Terminado esse tempo, se livremente quiser continuar na vida religiosa, emitirá sua consagração perpétua pelos Votos Solenes.

Um detalhe interessante: ultimamente o número de vocações ao Carmelo tem aumentado. Todos os nossos Mosteiros têm sido procurados por jovens, desejosas de seguir a Cristo na vida contemplativa. É um sinal bem positivo em nossa juventude, que ainda sente o desafio e se empolga por ideais exigentes e elevados!

Horário

A vida contemplativa exige uma ordem determinada nos atos comuns. Por eles exprime e realiza-se a comunhão com Deus e com as irmãs, num compromisso de ajuda mutua e fidelidade à própria vocação (Const. 96)

O dia da carmelita inicia-se com o despertar às 4,30 horas e é harmonicamente distribuído entre horas de oração e trabalho, refeições e momentos de convivência comunitária. Encerra-se ás 22 horas após o Ofício das Leituras (Matinas).

O Carmelo em Piracicaba

Em Piracicaba, o Carmelo foi fundado em 11 de abril de 1.951; nosso superior regular é o Sr. Bispo Diocesano, hoje nosso querido Pastor Dom Fernando Mason.

Somos atualmente 18 religiosas, das quais 14 professas de votos solenes, 03 professas temporárias e 01 noviça, e damos acompanhamento para algumas candidatas desejosas de abraçar nossa vocação. Formamos uma família teresiana muito alegre, enriquecida por membros de diversas idades e provenientes de diferentes cidades de São Paulo e outros estados. Tudo isso não impede, mas favorece, a vivermos a unidade: O AMOR DE CRISTO E DE MARIA NOS UNIU.

Dos 60 anos de nossa permanência em Piracicaba, só temos que agradecer. Sempre fomos acolhidas e apoiadas, com benevolência, tanto pela autoridade eclesiástica quanto pelo bom povo piracicabano, cuja generosidade jamais deixou de nos faltar.

Por tudo isso, podemos repetir:

“O senhor é bom, eterna é a sua misericórdia”! Salmo 118,1

Textos elaborados por Me. Teresinha do Menino Jesus, co-fundadora do Carmelo de Piracicaba.

Fevereiro/2011